16.9.16

Precisamos falar de trombose


Você pode não saber, mas chego para dizer que hoje é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Trombose, uma doença mega comum, mas que muita gente desconhece. Eu também não conhecia, mas sabe como é: quando as coisas acontecem conosco, damos um jeito de virar experts no assunto, né?

No caso, eu tive trombose no final do ano passado. Mais: de acordo com o médico, no estado em que fui procurá-lo, talvez eu não estivesse aqui hoje. Pode parecer exagero, mas trombose é uma das principais e mais comuns causas de morte, chegando a superar os números do câncer, da AIDS e dos acidentes de trânsito em algumas regiões do mundo.

É por ter tido essa experiência que achei importante fazer este alerta e tentar ajudar outros a evitarem de passar pelo que passei. Contudo, queria lembrar que não tenho mínimo conhecimento técnico em medicina; todo o material aqui foi redigido com base em algumas pesquisas, orientações oportunas do médico angiologista que me atendeu e experiências próprias, ok?

O que é trombose?


É um coágulo, uma obstrução que se forma em um ou mais vasos sanguíneos do corpo. Há vezes que isso ocorre em vasos pequenos, mal percebemos e o corpo acaba resolvendo naturalmente; o que preocupa mesmo é a trombose venosa profunda (TVP) - o coágulo obstrui veias profundas, aquelas que carregam o sangue venoso, rico em gás carbônico, aos pulmões para ser oxigenado.

Quais são os sintomas?


Na maioria das vezes, a trombose ocorre nas veias da perna e causam vermelhidão, calor, inchaço e até deixa a região esverdeada ou arroxeada. Mas em cerca de 10% dos casos, esse coágulo se desloca pelo corpo e pode chegar aos pulmões, formando a chamada embolia pulmonar; em casos mais raros, a obstrução pode chegar ao coração e até ao cérebro, mas a embolia pulmonar já é suficiente para 1/5 dos casos levarem à morte.

A título de curiosidade, parece que eu cheguei ao médico ainda na fase que o coágulo estava se deslocando. Com o mínimo de esforço físico, como caminhar uma quadra ou um lance de escada, isso me deixava com tontura, falta de ar e taquicardia.

Fonte: The Awkward Yeti

"Trombose não é coisa de velho?"


Eu também pensava que trombose era algo que afligia mais os idosos, mas lá vai o tapa de luva de pelica: não tem nada a ver. Sabe quem tem mais risco de sofrer trombose? Eu e provavelmente você, meu querido leitor que goza da flor da juventude, de 20 a 40 anos de idade!

Na verdade, estatisticamente falando, nós estamos muito mais expostos aos fatores de risco do que eles, como o uso de anticoncepcionais, cigarro e o exercício de ofícios que nos obrigam a ficar muito tempo sentados ou em pé. Mas claro que há outros grupos suscetíveis à doença, como as gestantes, as pessoas que já têm varizes, aquelas que têm de ficar acamadas, principalmente num pós-operatório, e ainda aquelas que têm propensão pelo histórico familiar.

Por que anticoncepcional é fator de risco?


Quando se faz uma pesquisa rápida sobre anticoncepcionais, me parece que não faltam motivos para tacar fogo na cartela, né? Eu respeito a decisão de cada uma para iniciar, continuar ou cessar o uso e não estou querendo jogar lenha nessa treta, mas acho que é muito importante se pensar com carinho sobre os riscos da trombose.

Assim que o médico concluiu que eu tinha trombose, o primeiro ban que ele fez foi contra o anticoncepcional, que eu já tomava, salvo engano, desde os treze anos de idade e não posso usar nunca mais. Em maior ou menor grau, essas pílulas costumam ter hormônios como estrogênio e progesterona, componentes que contribuem tanto para a formação de coágulos, quanto para a dilatação das paredes das veias - e tcharam, dê olá para as temidas varizes!

Ah, as primeiras semanas sem anticoncepcional foram meio difíceis de lidar, afinal se cortou abruptamente anos e anos em que mantive aquela quantidade x de hormônios femininos. Foram dias de cabelo caindo aos montes, pele ressecada, fluxos e períodos menstruais bem desregulados, tudo acompanhado de uma montanha-russa de humores - minha mãe é uma santa de me aguentar naqueles dias, já ganhou a canonização e tudo! Acho que foi no terceiro mês que as coisas se acertaram e hoje não sinto falta alguma, sério mesmo.

Como se diagnostica?


Os sintomas da trombose venosa profunda são bem perceptíveis, como falei lá em cima, mas para se ter certeza do diagnóstico, é necessário fazer um exame chamado doppler scan venoso.

O nome é esquisito, mas não é complicado nem dói nada: trata-se de um exame que associa a imagens de ultrassom com a análise de ondas de som, o que permite verificar o fluxo de sangue de dentro do vaso sanguíneo. Ou seja, lá no exame, eu fiquei assustada ao ouvir o urro horroroso do meu sangue circulando (ao menos, tentando) pela minha perna direita. Ah, e não era para urrar tanto assim, logo tinha algum problema.

Como se trata?


Primeiro de tudo, não demore muito para procurar ajuda: acha que a sua perna fica inchada com pouco esforço, mesmo que não fique verde ou roxo, vá atrás de um bom angiologista. Depois do meu diagnóstico, além de ter dado aquele ban definitivo no anticoncepcional, ele me receitou um anticoagulante, meias de compressão e repouso absoluto nos primeiros dias de tratamento.

Prepare-se para desembolsar também, porque o anticoagulante é caro e as meias que mencionei são bem mais sofisticadas que as Kendall que você talvez conheça. Mas não é o fim do mundo: você não vai usar o anticoagulante para sempre e, por serem mais resistentes, as meias vão durar bastante (mas que elas são feias, ah, são).

Minhas BFFs, desde então: AS e meias de compressão

Apesar do nome, o anticoagulante não vai tratar o seu coágulo: ele serve para afinar bem o sangue nesse primeiro momento de tratamento, quando a obstrução está firme e não tem muito espaço para o sangue fluir. O que vai tratar o coágulo é o seu próprio corpo e isso pode demorar bastante tempo - o médico me deu um prazo médio de seis meses a dois anos para uma cura completa.

Depois que se cessa o uso do anticoagulante, dois elementos vão pegar a sua mão e se tornarão seus BFF por toda a eternidade: o AS e as meias caras. Todo santo dia, eu tenho de tomar um comprimido de Aspirina para ajudar a afinar o sangue e vestir as meias, que vão criar mais pressão na perna, mesmo sentada. Ah, e é certo que, nos primeiros dias, você enfrentará batalhas vorazes e épicas para usá-las, então reserve mais um tempinho do seu dia até alcançar o nível master.

Por fim, a prática de exercícios físicos é uma grande aliada para estimular a circulação adequada do sangue por todo o corpo; a recomendação é começar pegando leve, mas não precisa ter tanta pena assim da perna, afinal é ela que temos de trabalhar aqui.

E aí, como se previne?


É bem verdade que casos de trombose podem ocorrer com qualquer pessoa e até de uma forma muito brusca: pode ter sido aquele vizinho que bateu as botas do nada ou mesmo um jogador de futebol em plena boa forma, no meio da partida.

Contudo, sempre há uma causa por trás: meu pecado, por exemplo, foi ter ficado horas a fio sentada em prol dos estudos, além do já muito difamado anticoncepcional. No geral, trombose é possível de evitar com a aplicação de um velho mantra: exercícios físicos e alimentação balanceada, plus não fumar.

Se o trabalho exige a permanência por horas em pé ou sentado, a dica é estimular as pernas: estique e dobre os pés várias vezes, dê um tempo da cadeira e se agache para os trabalhos na mesa, coloque alguma pasta ou um punhado de papeis entre as pernas e segure com os joelhos... Enfim, tem jeito!

Por fim, é importante verificar se há casos de trombose na família e ficar de olho no estado das suas pernas: notou inchaço, dilatação das veias, dor nas pernas? Não mosqueie como eu e procure um angiologista o quanto antes! Pode não ser nada demais, mas é muito melhor prevenir do que remediar.

Prazer, meus pezinhos :)

Fontes


4 comentários

  1. Adorei seu post. Eu estou, aos poucos, tentando aprender um pouco de tudo, porque ultimamente tenho ouvido tanta coisa que eu não fazia nem ideia da existência ou que eu pensava ser o oposto. A trombose, por exemplo, é algo que eu não conhecia - uma daquelas coisas que a gente escuta eventualmente, mas não sabe o que realmente significa. E é muito chato isso, já que ninguém tá livre e podemos comprometer tanto a nossa saúde simplesmente por não sabermos identificar sinais que demandam ajuda de um profissional ou mudanças de hábitos. Então não posso deixar de ficar feliz quando me deparo com posts como esse seu, cheios de informações e que me obrigam a refletir sobre tal coisa.
    E que bom que você encontrou ajuda a tempo e está melhor! :)
    Beijos,
    Bru
    Blog Moderando

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    1. Hoe, Bru! Tudo bem? :)

      Pois é, menina! É claro que, uma vez que você sofre ou fica sabendo que alguém querido sofreu, a gente busca saber mais sobre alguma doença, mas eu fiquei pasma com a falta de divulgação sobre os riscos da trombose. Quero dizer, há artigos por aí, mas quando se divulga amplamente, busca-se fazer imagens e materiais mais acessíveis e compartilháveis - mas não tem muito disso quando se fala em trombose, algo super comum e super evitável.

      Fico feliz por você ter o ímpeto de correr atrás de conhecimentos novos e que meu post tenha contribuído de algum modo com essa busca!

      Agradeço muito sua visita e seu comentário! Pretendo ler os posts do Moderando nesta semana, aos pouquinhos. :)

      Beijos, flor~

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  2. Muito informativo seu post! Eu acabei de parar com o anti (que já tomava há 7 anos) e um dos motivos foi medo de ter trombose. Minha mãe tem problema circulatório e usa essas meias, por isso fiquei mais preocupada ainda. Hoje minha maior preocupação é de engravidar, mas uso outros métodos - optei por não usar o DIU, porque é de cobre e tenho alergia a alguns metais, então não quero arriscar. Mas por enquanto não tive nenhum "sintoma" de abstinência hahah

    www.simpleness.com.br

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    1. Hoe, Anne! Tudo bem contigo? :)

      Eu fico mega feliz que o post tenha sido informativo para você! Chega a aquecer aqui o coraçãozinho quando alguém fala isso, muito obrigada mesmo! ♥

      Ah, que bom que você não sofreu esses efeitos colaterais com a falta do anticoncepcional! Menina, aqui a coisa foi sofrida... :(

      Só usava por questão de controle hormonal, já que, passada a adolescência, ainda continuava com muitas espinhas. Ter cessado e, depois dessa tormenta, descobrir que o corpo já está mais equilibrado nesse quesito já me deixou feliz. :)

      Sobre a gravidez, pois é, menina! Também é uma preocupação que paira aqui e até já cogitei o DIU, mas o meu caso é um pouco mais tranquilo porque não tenho nenhum parceiro nem nada. Vamos levando, né? ;)

      Lindo o seu blog e linda você também, flor! Vou dar uma olhadinha com calma nos próximos dias!

      Muito obrigada por ter lido e pelo seu comentário! ♥
      Beijos~

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