Junho é mês da imigração japonesa no Brasil desde 2005, mas, neste ano, passei a ter uma impressão diferente desse marco. Mesmo sendo o fruto de uma japonesa pimentinha e um brasileiro capricorniano, nunca cheguei a questionar qual era a real história por trás do texto ensaiado dos livros didáticos do Ensino Médio...

Quero dizer, por que um povo tão orgulhoso de sua história e de sua cultura passaria por uma viagem mega longa e precária de navio para chegar ao Brasil? Apenas pela promessa fajuta de riqueza rápida? E foi todo esse "paz e amor" quando chegaram? Com essas perguntas, comecei uma pesquisa rápida sobre a imigração.

Esse é um resumo muito resumido do que encontrei e tentei ser o menos chata possível na hora de escrever. Não tem nada inventado - tanto é que listei fontes lá embaixo para quem quiser dar uma olhada e se aprofundar também -, mas, no caso de aparecer um louquinho da cabeça, fica o recado do coração: pelamordasuavidaacadêmica, não use esse post como referência científica mas nunca, flw?


1. Por que os japoneses vieram?


Perguntinha básica que não tem uma resposta tão básica, pois é preciso entender como o Japão estava no final do Século XIX: estamos no meio da famosa Restauração Meiji (1867-1902, Rurouni Kenshin, alguém?) e o Imperador está correndo para superar o atraso de vida que o país sofreu durante o Xogunato, abrindo suas fronteiras comerciais a outros países e modernizando tudo que for possível, inclusive a produção agrícola.

Não bastasse essa brusca substituição da mão de obra, os pequenos produtores não poderiam mais honrar seus impostos com subsídios, apenas em dinheiro. Sem condições de pagar dessa forma, eles perdiam suas terras e seguiam por dois caminhos: trabalhar na propriedade, agora pertencente ao governo, para continuar morando ali, ou se mudar para os centros urbanos e incluir-se nas camadas mais pobres da sociedade.

Não demorou muito e os centros urbanos ficaram super populosos e insustentáveis. Além disso, os cofres públicos estavam secando com os investimentos nas guerras contra a China e a Rússia. Sem alternativa, o Japão deixou de penalizar a saída de conterrâneos do país (sim, era crime) e procurou fechar acordos para mandar gente a outros países e, assim, desafogar as cidades, bem como investiu em propagandas para convencê-los a buscarem essas "oportunidades". O primeiro país a recebê-los foi Estados Unidos, e aí você entende o por quê da concentração de japoneses no Havaí e na Califórnia; depois foi o Peru e então foi a vez do Brasil - mas essa nunca foi a primeira opção.

2. E por que o Brasil os queria?


Não fazia muito tempo que o Brasil tinha declarado a abolição da escravatura negra, então havia uma grande necessidade de mão de obra para trabalhar nas plantações de café. Até então, a política imigratória estava focada nos povos de origem europeia, principalmente alemães e italianos, mas eles não ficavam muito tempo nas fazendas em que chegavam, sempre procurando por melhores oportunidades; acabavam, então, trabalhando como parceiros ou contratistas.

As tratativas entre o Brasil e o Japão duraram cerca de vinte anos, marcados pelo grande receio de receber povos amarelos e até a dispensa por parte do governo brasileiro, devido a uma baixa sofrida no mercado de café. Contudo, com a proibição da Itália de mandar imigrantes para cá, em 1902, as negociações voltaram para valer, culminando naquela famosa passagem dos primeiros japoneses chegando ao Porto de Santos no Kasato Maru, em 1908.


3. Como os japoneses foram recebidos?


Falei que houve um grande receio do governo brasileiro, certo? Pois é, provavelmente não foi nessa época que o Brasil ganhou o título de "país acolhedor" - pelo menos, não o foi com os japoneses.

Para ter uma noção, no Brasil Império havia um decreto que proibia expressamente a vinda de povos de origem africana e asiática. A eugenia racial era um movimento tão forte na época que era perceptível em diversos setores, inclusive a política imigratória. Com a entrada mais que bem vinda de gente de origem europeia, pensava-se na sua progressiva miscigenação com o sangue latino, alcançando um status "superior"; misturar essa herança com negros e amarelos seria um "dano irreversível" a esse interesse maior - era o que se pregava.

Com a República, levantou-se a cancela para a entrada de chineses e japoneses, mas isso não quer dizer que a ideia da eugenia racial foi afastada - sério, umas cartas dos embaixadores brasileiros da época são de dar nojo. Uma vez nas plantações cafeeiras, a relação entre os japoneses e os fazendeiros brasileiros foi difícil, ora pela desilusão da promessa de riqueza rápida, ora pelas barreiras culturais e linguísticas. Cheguei a ler relatos em que se olhava com desconfiança e desdém seus hábitos "alienígenas", seja porque dormiam no chão ou porque ambos os sexos se banhavam juntos, em local público.

As coisas pioraram muito para os imigrantes com o estouro da Segunda Guerra Mundial, já que a Itália, a Alemanha e o Japão - surpresa - eram as potências do Eixo. No caso dos recém-chegados japoneses, a concentração em colônias e a dificuldade de assimilação social geraram muita desconfiança até do governo, que fechou a imprensa escrita em japonês, proibiu que tivessem acesso a informações sobre a guerra e organizou operações para desconcentrar certas regiões, como a Liberdade em São Paulo, expulsando famílias de suas casas.

4. Vinda proibida pela Constituição?


É, passamos por esse sufoco! Vamos ao contexto: a Segunda Guerra recém tinha acabado e os imigrantes eram ainda mais discriminados com a derrota do Japão. Como ainda não tinham acesso às notícias vindas diretamente do seu país, alguns japoneses do interior de São Paulo não aceitaram a ideia de que seu Imperador tinha perdido a guerra e condenaram à morte aqueles que assim acreditaram; o grupo autointitulado Shindo Renmei ("Liga do Caminho dos Súditos") foi responsável por 23 mortes e ferir quase 150 pessoas.

As notícias sobre o Shindo Renmei, com certeza, contribuíram para a posição social e política já antinipônica, mas o que chegou às discussões da Assembleia Nacional Constituinte de 1946 foi mais uma vez os discursos em prol da eugenia racial. Foi proposta a proibição da vinda de qualquer japonês sob qualquer circunstância, tendo em vista a necessidade de preservar as características de ascendência europeia na composição étnica da população. Como foi o placar? 50/50, pessoal! É, precisou de um voto de minerva do Presidente da sessão para vetar esse absurdo...


5. Eita! E como os japoneses foram "aceitos"?


Sabe aquela frase, enquanto você está dormindo, tem um japa estudando? Eu não gosto muito de ouvir essa brincadeira, mas talvez seja hora de rever isso, por ter se tornado um "senso comum" que ajudou a comunidade japonesa a conquistar seu espaço na sociedade brasileira.

Dá para se dizer que essa aceitação é bem recente, pois começou lá por 1960, quando muitas famílias japonesas saíram do campo para se fixar nos centros urbanos, principalmente de São Paulo e do Paraná. Os ramos em que passaram a atuar foram prestação de serviços e comércio de hortifrutigranjeiros, este com familiares que ficaram no campo como seus fornecedores diretos.

Enquanto os primogênitos ajudavam a cuidar dos negócios da família com os pais, tal qual a tradição mandava, aos irmãos mais novos cabia frequentar a escola e conquistar seu espaço na sociedade; era um investimento muito mais palpável do que sonhar com o retorno ao Japão naquela época. Muitos jovens escolhiam cursar áreas de Exatas por não ter de enfrentar problemas com o idioma, mas outros tantos foram estimulados a cursar Medicina e Direito em busca do prestígio social. Não demorou muito e já tinha muito japa se destacando em instituições renomadas, como a USP, a FGV e até o ITA.

De resto, com base numa pesquisa não oficial feita à época do início da chegada dos japoneses ao Brasil, dá para se dizer que, por mais que torcessem os narizes, os brasileiros sempre foram fascinados pela cultura (e disciplina) oriental. Assim sendo, a promoção de eventos culturais pelas colônias japonesas teve uma grande colaboração para se abrir o diálogo e a cabeça de ambas as partes para uma convivência muito mais harmoniosa e agradável.


Extra! Extra!


Se você tem parentes que emigraram, seja do Japão ou de outros países, para o Brasil, talvez seja possível encontrar o registro de imigração deles no site Family Search, um grande banco de dados digital com registros não apenas brasileiros, mas de vários lugares do mundo.

E não é propaganda nem balela, viu, gente? Eu fui atrás e encontrei os registros digitalizados da minha baa-chan e do meu jii-chan direitinho por lá, com fotos deles novinhos, inclusive! ♥ Vale muito a pena conferir de curioso mesmo e até resgatar alguns documentos da sua família, por que não, né? ;)

23.6.16

5 Curiosidades sobre a imigração japonesa no Brasil

Deu a louca na chefia, gente - olha o catatau de BLCDs que vai sair em junho?! Sério, é nessas horas que penso que não queria estar no Japão de bolso apertado, porque sofreria muuuuuito diante de tanta oferta junta... Ah, e esse tantão aí me fez até duvidar da minha escolha de destaque do mês nos 45 do segundo tempo, porque tem umas coisas aí no meio que me deixaram curiosa, mas... É, no final, "não teve golpe"! :P

Antes de falar sobre ele, eu só queria esclarecer uma coisinha, já preparada para as pedras: sei que Yarichin Bitch-bu está fazendo um sucesso danado por aí e deve ser maravilhoso saber que fizeram uma adaptação em BLCD, mas euzinha não gostei muito desse título até agora... Vai ver eu mordo a língua depois se fizerem um desfecho bacana, até porque o casalzinho central é fofo e tudo, porém agora a hashtag que impera é #nãosouobrigada. Ah, mas se quiser detalhes deste e de qualquer outro BLCD das checklists, fique à vontade para perguntar, ok? ;)


Destaque do Mês


A coroação de junho vai para Hangout Crisis, que ostenta uma das fantasias mais clássicas de fujoshis e fudanshis com um traço maravilhoso e cenas recheadas de fanservice para leitor nenhum botar defeito!

Jousei (CV: Taniyama Kishou) e Motoki (CV: Furukawa Makoto) são amigos que cursam diferentes ramos na faculdade, mas que têm ficado famosos como lendas dos goukons (encontros às cegas em grupo), não havendo um em que participem sem ganhar uma garota.
Um dia, eles acabam indo a outro goukon por engano e dão um jeito de escapar, mas estavam altos demais - tanto que falavam sobre serem atraentes demais e que poderiam ficar excitados um com o outro. Nessa onda, acabam indo para um motel juntos e resolvem experimentar se a teoria funcionava mesmo. Motoki concorda em "dar uma mão" para o amigo, porém se surpreende por também ficar excitado com toda a situação; movidos pela curiosidade e o interesse, as coisas evoluem rapidamente e os dois têm uma noite incrível juntos.

Na manhã seguinte, as reações são bem diferentes: diante de um Motoki incrédulo e desesperado, estava um Jousei mais que satisfeito com todo o ocorrido e disposto a ter mais experiências prazerosas com o amigo. De início, Motoki também se rendeu ao potencial recém-descoberto de ter relações com um homem, mas o fato de Jousei continuar com os goukons e a flertar com as garotas como antes o deixa inseguro: o que ele se tornou para Jousei, afinal? Haviam virado somente amigos com benefícios ou aquilo tinha mais significado apenas para Motoki?

Referências


Seme | Tsubakiya Jousei (CV: Taniyama Kishou)
Jean Kirschtein (Shingeki no Kyojin), Takahashi Takahiro (Junjou Romantica), Shinomiya Natsuki (Uta no Prince-sama);

Uke | Sakurai Motoki (CV: Furukawa Makoto)
Saitama (One Punch Man), Suwa Hiroto (Orange), Kindaichi Yutarou (Haikyuu!).

Confira também


1.6.16

BLCD Checklist: Junho, 2016

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