13.3.16

17 anos de Digimon

Tudo começou em 07.03.1999...

Toda vez que brota um "xx anos" de alguma coisa, me dou conta de que, por mais que as lembranças estejam estanques em nossas cabeças, a linha do tempo aqui fora continua a correr numa velocidade relativa: tudo passa lentamente enquanto estamos imersos em nossos problemas no presente, mas, ao tentarmos recuperar o que já está no passado, parece que pisaram no acelerador e as coisas voaram à jato.

Eu tinha a impressão de que poucos anos me separavam daquele tempo em que tentava me enturmar com alguns meninos por estarem dispostos a falar comigo sobre Pokémon e Digimon, tópicos muito mais importantes para mim do que babar nos gatinhos das boybands ou imitar as Spice Girls, como priorizavam as demais gurias.

Na época, comia salgadinho fedorento para pegar os tazos e "mini cards", economizava para comprar os card games e até tentava entender o jogo de tabuleiro, mas sempre acabava jogando tudo sozinha. Tempos de solitude, é verdade, mas de grande sinceridade sobre o que queria e sentia. Nesta semana, celebrando os 17 anos da série de monstrinhos digitais, vejo quantos anos realmente me separam dessa tal solitária quarta série do Fundamental.Boa parte do que adquiri naquele tempo era de Pokémon, mas larguei logo que começaram a brotar mais de 300 espécies - e o Totodile ainda é meu favorito. Por sua vez, mesmo deixado em escanteio comercial, Digimon continuou a me causar uma forte impressão e é o que me faz acompanhar até hoje.

Em vez de colecionadores de criaturas entrando em jornadas infindáveis, sob a mesma desculpa de jogá-los uns contra os outros em "rinhas" - ah, falei mesmo -, havia crianças fazendo parceiros para a vida toda que lutavam pela salvação dos mundos real e digital. A missão maior pode ser a mesma em todas as temporadas, mas sempre somos apresentados a elementos diferentes, novos inimigos e novas evoluções - e estas dependem de um crescimento pessoal dos parceiros humanos, que superam seus próprios problemas. Nesse sentido, algumas temporadas se tornaram as minhas favoritas:

Digimon Adventure


E aí, aparece a Angélica... Não, por favor.

Preferir Adventure é meio suspeito, afinal como não nutrir um carinho especial pela temporada que te fez gostar de toda a franquia, né?

Mas ela ganha meu coração por seus próprios méritos, a começar pelo desenvolvimento da história, em que os desafios dos personagens são bem explorados: imagine-se caindo num ambiente hostil, sem comida à mão ou comunicação, mas com criaturas estranhas por todo lado e muitas delas querendo te matar? Nessa jornada pela sobrevivência, vive-se experiências dramáticas de perda, sacrifício, impotência, desespero e morte, mas sempre tratadas a partir da pureza e ingenuidade das crianças e seus parceiros digimons.

Outro fato que me marcou foi mostrar conflitos de pontos de vista entre as crianças bem relevantes: por exemplo, a vontade gritante de alguns personagens, como Mimi e Izzy, de não encarar e fugir de tudo o que estava acontecendo, ou os bate-cabeça entre Tai e Matt - afinal não é porque o primeiro foi "eleito" líder que ele realmente sabe o que é melhor para todos, sabendo tão pouco sobre o Digimundo quanto os demais.

Finalmente, um ponto que sempre achei muito curioso em Adventure foi que, depois que ficamos sabendo sobre como funciona a Cidade do Princípio - onde os dados dos digimons vão, tornam-se digiovos e podem renascer -, não era mais um choque tão grande ver os monstrinhos que ajudaram ou foram queridos aos digiescolhidos falecendo. Ah, fora o Wizardmon; aquele momento ainda foi triste.

Digimon Tamers



Tamers corresponde à terceira temporada e, digamos assim, não é uma unanimidade entre os fãs da série; eu até imagino o porquê: a partir daqui, as regras do jogo mudam totalmente. Bem, o Digimundo existe, os digimons também, mas os tais digiescolhidos agora são denominados "domadores". É uma palavra bem agressiva, vamos combinar, né?

Isso por si só já mexe muito com a forma que cada criança entende o seu papel para com seu parceiro digimon - Ruki achava que sua tarefa era apenas tornar Renamon mais forte do que todos os digimons; Takato tinha Guilmon como um sonho realizado e um grande amigo; Terriermon também era querido para Zenrya, mas, por esse mesmo motivo, não via necessidade de fazê-lo lutar.

Mas tem mais uma coisinha: lembra da Cidade do Princípio que falei há pouco? Então, em Tamers não tem nada disso! Os digimons derrotados ainda se tornam dados, mas estes são absorvidos por quem venceu, ou seja, eles praticamente morrem de verdade. Nada disso, porém, nos prepara para o que acontece na segunda metade em diante desta temporada.

Uma criança sofrida cogitando a própria morte por culpa, que nó no peito...

O grande vilão da história se revela como a entidade D-Reaper e a sua performance mega creepy, que se arrasta por vários episódios, nos faz pensar se Tamers foi realmente pensado para as crianças. Creio eu que é neste ponto que o pessoal pode ter bugado e, portanto, não ter gostado da temporada quando assistiu na infância; contudo, sei que boa parte de quem deu uma segunda chance à série na maturidade acabou amando.

A "creepiosidade" do D-Reaper está no fato de ter capturado a domadora Kato Juri - já fragilizada por ter visto seu parceiro Leomon morrer - e espiado sua mente e seu coração, a fim tão somente de recolher informações sobre os seres humanos. Dentro da entidade, mais uma bugada: acho que foi o primeiro desenho a que assisti em que representaram de uma forma um tanto didática como fica uma pessoa, no caso a Kato, em depressão.

Resgatando minhas aulinhas mega rasas de psicologia, posso dizer mais: por estar tão conectado às emoções da menina, quanto mais Kato sofria, mais o D-Reaper crescia e aperfeiçoava seus mecanismos de defesa. Assim também são chamados, por Freud, os artifícios com os quais nossa mente tenta evitar que nos machuquemos diante de um trauma; alguns deles são rejeição, isolamento, negação, fantasia etc.

É ou não é um mergulho no ácido?! Sendo assim, acho que, dada a dificuldade do público-alvo em processar tudo, desta água nunca mais a franquia bebeu...

Digimon tri.


Como deu para perceber, eu já acompanho as temporadas de Digimon há um tempão, então dá para imaginar o surto de quem vos fala quando anunciaram Digimon Adventure tri., né? Uma das grandes sacadas do projeto de aniversário dos 15 anos da franquia (2014), trata-se do retorno triunfal dos nossos digiescolhidos de Adventure já crescidinhos, reencontrando seus parceiros digimons para uma nova aventura. São seis episódios de duas horas cada, mas lançados em períodos diferentes; o segundo saiu há pouquinho, no dia 11 de março.

Que abraço gostoso, meodeos!

Então, eu já vi esses dois episódios que foram lançados e confesso que estou um pouco confusa ainda, pois a linha do tempo de tri. parece um pouco diferente de onde a franquia nos deixou, no final de Adventure Zero Two - saga esta porcamente desenvolvida, na minha opinião.

No entanto, o que está agradando mais é que Tai e companhia já estão no colegial e isso exige que eles lidem com as situações de uma forma mais madura. Acho que isso se traduz como uma alegria para os fãs saudosistas, que também já cresceram, e como um desafio para os roteiristas - vai dizer que não é uma tarefa árdua dar esse ar mais maduro sem ignorar a essência da história?

Ok, confesso que torci o nariz quando vi o novo desenho dos personagens, mas o produto final compensou demais e retirei todas as críticas que tinha feito. Contamos também com um novo elenco de vozes para os digiescolhidos e até novos personagens, mas a nostalgia foi garantida e vai bater forte no seu coração: as vozes dos digimons são as mesmas do original; as músicas que marcaram a série, mesmo umas BGMs, passaram por uma atualizada, mas foram mantidas, e voltamos à missão de salvar o nosso e o Digimundo!

Pega o lencinho e aumenta o som! 🎶


Se continuarem a lançar histórias de qualidade, é fácil prever que não largarei Digimon tão cedo. Ficam registrados, então, os meus parabéns para a série e a expectativa de que mais coisa boa ainda está por vir! 💙

6 comentários

  1. ai quantos feels <3
    Confesso que só assisti o terceiro digimon quando criança, e não tinha a capacidade de pensa-lo desse modo que você comentou, mas acho que agora, como pseudo adulta apanhando das novas descobertas da vida, eu ia CHORAR assistindo hahahahaha


    quem sabe quando eu estiver mais bem formulada nessa vida....
    choros
    hahahah

    Já o primeiro traz TANTA nostalgia que chorei e me arrepiei quando ouvi a musica tema no primeiro trailer <3 É muito mais emocional que qualquer coisa, é chorar por algo que nem se tem certeza de quão bom é - mas que na época foi algo muito importante pra mim tbm...

    ENfim, gostoso ler vc falando sobre eles e ligando com o novo, pin-chan ;u; espero mesmo poder acompanhar a trama por muito anos mais <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hoe, Juh-chan!
      Obrigada de novo por comentar aqui (mesmo que por livre e espontânea pressão :P), não sabe como fiquei feliz! ♥

      Ah, eu também não tive condições de avaliar "Tamers" na época em que assisti, só tinha realmente achado o D-Reaper muito creepy mesmo. Só lembrava que tinha gostado de toda a produção e que a Renamon era maravilhosa. Foi há alguns anos que resolvi assistir a segunda metade, aproveitando que já estava me jogando no ácido mesmo enquanto revia "Evangelion" - talvez por isso que eu interpretei com mais profundidade e amei ainda mais.

      E sei exatamente o turbilhão de feelings que você deve ter sentido com "Adventure tri.", porque eu também me arrepiei, surtei e chorei com o primeiro trailer! Realmente, essa nostalgia é mais forte do que parece!

      Fico muito feliz que você tenha gostado, Juh-chan! Segura a minha mão e vamos juntas nos jogar por mais tempo em Digimon, irmã! ♥

      Excluir
  2. Como assim 17 anos? GENTEEEE! Pára tudo porque eu lembro exatamente da primeira vez que eu assisti. E a Angélica cantava a trilha sonora. Hahaha <3
    Brincadeiras à parte, eu não acompanho mais há muito tempo, mas acho super legal quando as pessoas conseguem trazer as paixões da infância pra vida adulta. Aqui em casa, o Di é apaixonado por Dragon Ball e já até me carregou pro cinema com ele. Hahaha! <3
    Posso imaginar o quanto foi legal pra você esse novo lançamento. :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hoe, Mari!
      Ver o quanto o tempo passou é digno de pular da cadeira mesmo, né? Pokémon também, fez 20 anos em 2016! Huahuahua, Angélica não conta, por favor. XD

      Ah, tem coisas que eu acho que ainda não cresci - ou talvez os tempos sejam outros e não precisamos realmente largar mão de tudo para sermos considerados adultos... Além de Digimon, eu não arredo de gostar de Sakura e Sailor Moon. ♥

      Dragon Ball também tem seus méritos e me acompanhou por um bom tempo da infância e adolescência, mas não deve ser muito a sua praia também, né? XD
      Eu já não sou muito fã hoje, mas não estou muito longe das "loucuras" do seu namorado, em termos de ir pro cinema por algum desenho: fui ver Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo. XD

      Obrigada pelo seu carinho!
      Beijos~

      Excluir
  3. 17 anos? SOCORRO!
    Eu assistia Digimon mas não me apeguei o suficiente pra lembrar detalhes. Recentemente comecei a assistir Pokemón novamente. Seu post foi tão legal que deu uma vontade de dar uma segunda chance ao desenho. Será que eu consigo? Rs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hoe, Elisa!
      Que honra tê-la por aqui! Muito obrigada ♥

      Eu também me assustei muito com o tanto de tempo que passou... Mas, se você está dando uma segunda chance a Pokémon, eu dou a maior força para tentar com Digimon também! Talvez a primeira fase seja meio chatinha, mas dali para frente eu acho que dá para encarar muito bem ;)

      Fico muito feliz que tenha gostado do post, de verdade! :D
      Se quiser trocar figurinhas depois de assistir Digimon, estamos sempre às ordens ♥

      Beijos, flor~

      Excluir

O Blog tem Instagram » @subindonolustre

© Subindo no Lustre. Design by Fearne.